“Deixemos todo o embaraço,

e o pecado que tão de perto nos rodeia.”

—Hebreus 12:11  

 

A maioria de nós conhece ou já ouviu alguém se referir a este verso: “Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé...” (Hebreus 12:1-2). Embora tenhamos ouvido, eu estou certa de que todas concordaremos que o embaraço e o pecado mencionados aqui são os nossos próprios. Entretanto, recentemente eu me vi em uma rede de embaraços que não eram meus, o que me fez olhar para este princípio sob uma luz completamente nova.

Hoje, como nunca antes, nós vemos mulheres (e alguns homens) compartilhando abertamente os seus problemas e pecados pessoais com o mundo inteiro pela televisão, e mais recentemente, pelas redes sociais. Muitas vezes há uma plateia cheia de gente, a maioria mulheres, gritando (ou postando) as suas opiniões, muitas das quais rapidamente recebem um microfone ou uma plataforma para darem voz à sua indignação ou simplesmente para dizerem a essa pessoa o que ela deveria ou não fazer. Na televisão, o apresentador ou a apresentadora (ou juiz) parece ter a palavra final e chega a ser visto como um especialista em resolver as doenças sociais e se exibe diante de incontáveis, obsessivos e “insaciáveis” olhos e ouvidos.

Sem perceber, estes programas e redes sociais têm afetado negativamente a vida de todas nós ao nos encorajar a exibirmos os nossos pecados, e os dos outros, diante da nossa família, amigos, vizinhos e até de perfeitos estranhos. Quando participamos disso, logo nos vemos enredadas em uma multidão de problemas e pecados, dos outros e os nossos próprios, os quais nos pesam e roubam a nossa alegria. Isso começa não só a roubar a nossa paz, mas também corrói nossas crenças e moral, porque as pessoas com quem nos cercamos, no fim, serão aquelas com que nos pareceremos.

Embaraçadas e Enredadas

Semana passada mesmo eu enviei um testemunho sobre a cura da minha irmã. Nele eu expliquei que a diretora do seu grupo do lar me ligou para falar que a  minha irmã estava com depressão, a ponto de quererem interná-la em um hospital psiquiátrico, e sobre como busquei sabedoria com o Senhor imediatamente para lidar com esse assunto. Ele me inspirou a perguntar a Ele sobre qual era “a fonte” do problema e logo descobrimos que a depressão era devido à medicação que ela estava tomando, medicação essa usada para curar a depressão! Contudo, logo depois que eles suspenderam os remédios ela se tornou dependente deles e não conseguia mais dormir, e por isso me ligava toda manhã para reclamar (e de certa forma me culpava pela sua falta de sono). Isso parece familiar para você?

Sempre que nos envolvemos com os problemas das outras pessoas, logo ficamos enredadas, e em seguida nos vemos presas na teia dos embaraços delas, além das nossas próprias dificuldades com as quais já temos que lidar. Assim que ajudei minha irmã e me envolvi, eu descobri que a diretora dela, e todas as outras moradoras, também a estavam “ajudando” com mais conselhos sobre diferentes medicações e muitas queriam que ela fosse ver um conselheiro para tratar a depressão. Bem, você entendeu a situação: um problema se torna uma rede de problemas cheia de caos e confusão.

Como cuidadora da minha irmã eu não posso me dar ao luxo de me afastar e estou, de certa forma, envolvida. Contudo, é importante que eu seja cuidadosa para não me deixar apanhar. Neste capítulo, eu quero encorajar a todas vocês a darem um passo para trás para tentar enxergar em quantas redes estamos presas, e das quais precisamos buscar a Deus para que Ele nos liberte: com a nossa família, amigos, vizinhos e colegas de trabalho. Hoje você vai poder perceber que ainda está presa aos pecados do seu ex-marido, da namorada dele, etc., quando se der conta de que ainda pensa nos problemas deles, e com isso ainda aumenta ainda mais a sua teia ao discutir sobre o assunto com as suas próprias amigas ou com sua família. Ou pode ser o fato de que os seus filhos mais velhos não estão onde deveriam em suas vidas espiritual ou financeira que esteja te embaraçando. Talvez sejam os seus pais idosos. Ou possivelmente o que acontece quando seus filhos menores vão visitar o pai (e a ela!).

Eu descobri, na minha própria vida, que isso era o que estava roubando a minha intimidade com o Senhor. Mesmo após Ele haver me treinado a rapidamente entregar a Ele todos os meus problemas, pedindo que Ele cuidasse de qualquer coisa que me causasse a menor dificuldade ou preocupação que fosse, eu, sem me dar conta, vinha me envolvendo com questões que não me pertenciam.

Só para que você saiba, a maneira como eu venho lidando com meus próprios problemas é fácil de se aprender. Quando qualquer problema ou preocupação me vem à mente (como quando acordo e ainda não sei o que vou fazer a respeito de alguma coisa neste dia), eu apenas digo, “Querido, eu vou precisar que você cuide (seja lá o que for) disso para mim hoje. Obrigada, meu Amor.” E eu então falo sobre um outro assunto, geralmente digo a Ele o quanto eu O amo e frequentemente conversamos sobre todas as coisas maravilhosas que Ele fez por mim no dia anterior.

Depois que eu levanto, e me deparo com alguma coisa em minha casa que esteja me perturbando, por exemplo, um conserto que precisa ser feito ou um dilema de limpeza (como o tapete das minhas escadas), eu apenas menciono o assunto e, novamente, digo a Ele que estou esperando para que Ele me mostre o que fazer. E em seguida eu apenas espero e confio Nele. E se o assunto me vier à mente de novo, eu simplesmente entrego a Ele vez após vez. A maioria de nós foi ensinada, através do manual Uma Mulher Sábia, a dizer aos nossos maridos terrestres que confiamos neles, então faça o mesmo com nosso Marido Celestial porque Ele também ama ouvir isso.

Mas, embora eu tenha sido livrada dos meus milhares de dilemas, a tentação continuava se esforçando para me fazer tropeçar nos problemas de outras pessoas, especialmente os dos meus próprios filhos. Já que agora tenho filhos adultos (com mais de dezoito anos), fica mais fácil para mim encorajá-los a encontrar suas próprias soluções para seus problemas, permitindo que eu não me enrole com essas situações. No entanto, como muitas de vocês, eu também ainda tenho filhos menores em casa, e aqui é que me vejo sendo absorvida. Ao buscar a Deus para obter sabedoria, Ele me lembrou de que eu sempre tentei usar estas oportunidades para compartilhar princípios das escrituras, que vivi em minha própria vida, com meus filhos mais velhos. E eu sempre tenho tentado tomar cuidado para que, no final, sejam eles mesmos quem tomam as suas próprias decisões sobre o que fazer (especialmente para que busquem ao Senhor para receberem a resposta), e que ajam por si mesmos—em vez de eu mesma ficar embaraçada com a decisão, a qual deve partir deles. Mas não basta apenas falar sobre este princípio, é preciso colocá-lo em prática.

Felizmente, após me mostrar isso, este final de semana o Senhor me guiou a fazer a mesma coisa com minha filha mais nova, de dez anos. Ela está sendo muito pressionada pelo pai para ir morar com ele de vez; para viver com ele, a esposa e os filhos dela, e tem dito que quer se mudar para lá. Por outro lado, eu também tenho sido pressionada pelos meus filhos mais velhos para não permitir que isso aconteça, eles me dizem que se eu “realmente soubesse o que acontece por lá” eu não permitiria que ela fosse.

Eu aproveitei a oportunidade para lembrar a todos eles sobre o princípio do pai e do filho pródigo: como o pai, na verdade, encorajou o filho a conseguir o que ele dissera que queria quando lhe deu a sua herança (antes do tempo), e que ele, na verdade, sabia e tinha conhecimento de que aquilo seria usado para promover o pecado do seu filho. (Leia Lucas 15:11-32). Explicar a razão pela qual Deus revelou esta parábola, que foi para nos mostrar como não devemos ficar no caminho das pessoas, é a maneira mais rápida e certa para que cada um possa descobrir que o que eles achavam que queriam não valia a pena diante do que eles eventualmente terão que perder. Claro, eu também os lembrei de que Deus não fica no nosso caminho quando desejamos o que é errado, e o verso em Salmos 1 diz isso claramente, “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores...” (Salmos 1:1 ACRF). Essas conversas com meus filhos mais velhos servem para lembrar a eles, e a mim mesma, dos princípios que vêm sendo negligenciados e não ensinados nas igrejas.

Então, ontem, mais uma vez, eu estava sendo empurrada para outro embaraço por um dos meus filhos que não queria que eu emprestasse mais dinheiro ao seu irmão mais velho, que ele acreditava ter se tornado financeiramente irresponsável. Eu tive que dizer a ele, novamente, que o Senhor havia me dito para “dar livremente” sempre que me pedissem e relembrei ao meu filho (o que havia exposto a sua preocupação) de que Deus usaria tudo para o bem de todas as partes. O Senhor já revelou que o embaraço financeiro em que o irmão dele caiu é o que o tem impedido de ir em frente com um relacionamento que acreditamos que não seja o plano de Deus para ele, é uma confirmação. E para solidificar este princípio, e conduzir a conversa em direção aos nossos próprios pecados, nós começamos a compartilhar alguns dos nossos erros que nos ensinaram mais do que se alguém tivesse nos impedido de aprender a lição da maneira mais difícil. Muito rapidamente meu filho se despreocupou e concordou que o Senhor estava no controle e compreendeu as bênçãos de não ficar no caminho das pessoas—que podem até estar rumando em direção aos problemas.

E você?

Você está convencida de que o seu dever é ficar no caminho dos outros? Ou você agora consegue enxergar que isso só atrasa o processo de arrependimento, ao mesmo tempo em que te embaraça e rouba a sua alegria?

Mas e se a pessoa está caminhando em direção ao pecado e você sabe que logo ela ficará enredada e sob o peso de todo tipo de embaraços? Depois do que aprendemos você continuará a se embaraçar em vez de entregar as coisas ao Senhor, permitindo que Deus as use para o bem? Em quantos embaraços, que não lhe pertencem, você já se viu presa?

Certo é que, embora muitas vezes estes embaraços sejam excelentes para “ensinar o que é bom” para aqueles que buscam, uma vez que você tenha compartilhado a verdade, você sempre consegue dar um passo atrás e permite que as pessoas sigam o que você mostrou, e mesmo quando escolhem ignorá-la?

Quantas vezes eu descubro que muitas pessoas irão abraçar a verdade imediatamente, mas nunca a colocarão em prática, como é dito que acontecerá em Mateus 13:20, “O que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria; Mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração...” Permita que Deus quebre o duro solo do coração dos que estão à sua volta. Quando nós fazemos isso eles se ressentem conosco. Contudo, se permitirmos que Deus faça, podemos estar ao lado deles quando forem quebrantados, ajudando a encorajá-los a aceitar o amor do Senhor—mas somente se estivermos, nós mesmas, nos banhando no Seu amor.

Hoje eu percebo que estou apenas começando a compreender que não basta apenas colocar os meus próprios pecados e embaraços de lado, devo também estar determinada a não ser pega propositalmente na rede da vida de outras pessoas, incluindo, especialmente, aquelas que são mais próximas e mais queridas.

Os enormes e constantes problemas da minha própria vida, tudo que tenho vivido recentemente, mais uma vez estão contribuindo para o bem: isso tudo tem me ajudado a me afastar completamente do embaraço com as outras pessoas, deixando que o Senhor as guie ou que experimentem as consequências dos seus pecados—o que acaba acontecendo, como todas nós aprendemos, por termos passado por isso. Então, assim como eu venho fazendo com os meus próprios problemas ou preocupações, eu agora entrego todos os problemas e preocupações que eu tenha em relação às outras pessoas ao meu Amado Marido que se preocupa tanto com os meus entes queridos como se preocupa comigo!

Sim, os problemas podem continuar a me cercar, mas eu escolho entregá-los para Aquele que tem o poder e a sabedoria para lidar com eles. Isto me liberta, mais uma vez, para simplesmente me aconchegar em Seus braços, e me maravilhar com o Seu amor. “Tal é o meu Amado, e tal o meu Amigo.” (Cantares de Salomão 5:16).  

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