“Mas Deus escolheu as coisas tolas do mundo para envergonhar os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as coisas fortes”. 1 Coríntios 1:27

Na semana passada, compartilhei sobre como, durante um feriado, eu senti que precisava ir à clínica do Pró-Vida, onde eu era voluntária, simplesmente para conhecer uma jovem que ficaria para sempre em minha mente e em meu coração. 

Esta semana, como prometi, eu gostaria de contar sobre um incidente que me rendeu muitos problemas, mas que, ainda assim, fez com que todos soubessem que Ele tinha escolhido alguém, não apenas tola, mas também fraca, para ajudar um mendigo negro encontrar a vida Nele!

Muitas de vocês leram no curso Renovando, na lição “Meu Líder Espiritual” que, quando eu morava em Pensacola, na Flórida, onde o meu casamento foi restaurado, estava acontecendo um reavivamento mundial a apenas uns 3 km da nossa casa. O fato não só de estarmos indo, mas de mais tarde nos tornarmos membros, me manteve tão humilde diante da misericórdia do Senhor porque eu queria descobrir, em primeira mão, o que Ele estava fazendo lá que aparecia em todos os noticiários.

Havia um encontro de reavivamento todas as noites, mas com sete crianças não podíamos ir em todos. Porém naquela noite aconteceu uma coisa completamente fora do comum. Eu senti uma urgência muito grande de ir, embora ninguém mais quisesse. E também, outra coisa diferente do normal, quando perguntei ao meu marido o que ele achava, ele me disse para ir, sem me dar nenhuma recomendação para ter cuidado ou orientações sobre estacionamento, etc. A igreja ficava em uma parte da cidade muito perigosa, e as pessoas começavam a chegar logo cedo todas as manhãs, então para os retardatários estacionar próximo à igreja era impossível.

De fato já estava escuro quando eu saí de casa, mas, mesmo assim, alguns blocos mais à frente eu pensei em parar no Whataburger (fast-food) que ficava bem no caminho. O mais louco é que eu já tinha jantado e, como eu disse, já estava atrasada. No entanto, eu sabia que era o Senhor, tinha que ser Ele. Por isso estacionei a nossa van, entrei, fiz um pedido e me sentei.

Um ou dois minutos depois, eu ouvi um homem falando com as pessoas que estavam comendo mais próximas da porta. Ele segurava um grande saco preto de lixo e perguntava se eles queriam comprar algumas nozes. Elas sacudiram a cabeça rapidamente indicando que não, e ele seguiu para outras mesas, todo mundo parecia horrorizado. Eles resmungaram alguma coisa mandando-o embora e quando ele ficou de frente para mim, senti um cheiro forte de álcool e urina.

Depois de se aproximar de várias mesas (menos a minha), ele foi até o balcão perguntar aos três adolescentes, que estavam pasmados, se eles queriam comprar as nozes, e acrescentou, “Eu só preciso do suficiente para comprar comida.” Foi quando o gerente veio disparado lá do fundo e pediu que ele fosse embora. Mas eu já tinha me levantado.

Eu vim por detrás dele e disse ao gerente que esperasse, me virei para o homem e falei com ele, “Eu não quero nozes porque tenho uma árvore delas no meu quintal, mas quero pagar uma refeição para você.” Eu disse ao rapaz no caixa que desse o que ele quisesse. O homem sacudiu a cabeça que não, mas eu voltei e disse, “Por favor, deixa eu comprar alguma coisa para você. Meu marido é muito rico e ele quer que eu compre alguma coisa para você”, aí ele concordou e me disse “Obrigado” e, olhou para o cartaz para fazer o pedido. Mas o gerente interrompeu e disse “Ei, você não tem que fazer isso”, com um tom de raiva e frustração. E eu apenas sorri e disse “Ah, sim, eu preciso sim”, e entreguei meu cartão para o caixa, paguei, e saí deixando o homem lá esperando pela bandeja de comida.

Ao invés de ir embora, eu senti que precisava voltar para a minha mesa. Acho que, naquele momento, eu queria ter certeza de que ele receberia a comida ou estar por perto caso o gerente o mandasse embora. Poucos minutos depois, o homem parou perto da minha mesa, com a bandeja nas mãos, perguntando se podia se sentar. Dúzias de olhos estavam fixos em nós, mas ninguém dizia nada. Eu apontei para a cadeira em frente e disse a ele, “Por favor, sente-se.” Dava para ver claramente que ele estava com muita fome, comeu tudo em poucas mordidas, e depois parou, ainda olhando para baixo e me perguntou “Por que você fez isso? Por que você comprou esta comida para mim?”

E aí foi quando o Senhor começou a falar através de mim: “Eu estou aqui porque Deus me enviou até você. Eu estava a caminho de um encontro de reavivamento, mas Ele me disse para vir aqui mesmo sem estar com fome. Eu acabei de jantar. Mas assim que ouvi você tentando ganhar dinheiro para comer, eu soube qual era o MOTIVO por que Ele me fez vir. Deus quis que eu te ajudasse a conseguir alguma coisa para comer porque Ele quer que você saiba o quanto Ele te ama.”

Ele levantou os olhos e disse suspirando “Ok, eu vou ao reavivamento com você”,  e eu assegurei a ele “Não, não foi por isso que eu paguei o seu lanche. Não foi com segundas intenções.” Mas dessa vez ele respondeu, “Mas eu quero ir... se você me levar.” E eu levei. Nós saímos de lá com os clientes e os funcionários do fast food nos encarando enquanto eu tirava a van do estacionamento. 

Como eu disse, estacionar na igreja,  fosse a qualquer hora do dia, era um pesadelo, e se o culto já tivesse começado era simplesmente impossível, mas como com todo o resto, o Senhor tinha um plano. Quando virei a esquina eu vi uma vaga bem em frente à porta. Engraçado que eu não notei a placa de “reservado” (não até mais tarde quando fui embora). Subimos juntos as escadas e logo que abrimos a porta, vocês pensariam que eu estava ao lado do Presidente dos Estados Unidos ou de uma estrela de cinema! Dois porteiros sorridentes deram o braço a ele, levando-o pela portas principais. Eu estava perplexa porque o culto já tinha começado e todo mundo estava sendo conduzido para o auditório lotado, mas este homem ganhou uma poltrona quase que em frente do corredor!

Foi aí então que senti alguém me pegando pelo cotovelo e me guiando pela escada até lá em cima. O chefe dos porteiros começou a engrossar comigo “O que você achou que estava fazendo, Erin?!??! Você tem noção do problema que você arranjou? Como você se coloca em perigo desse jeito deixando aquele homem entrar no seu carro?!?!?!” (Ele tinha me visto estacionar.) Eu expliquei que sabia que não estava em perigo, que era o Senhor quem tinha me enviado, e que, na verdade, eu não o tinha convidado e sim que ele que tinha pedido para vir, então o que eu poderia dizer? No entanto, ele me fez prometer que nunca mais faria aquilo de novo. Ele conseguiu um assento para mim no balcão e foi de lá que eu pude ver meu amigo correr para o altar e entregar a sua vida ao Senhor.

Um mês depois eu pensei tê-lo visto, mas eu não tinha certeza absoluta até que ele sorriu. Ele estava tão diferente, mas eu reconheci aquele sorriso faltando um dente que ele abriu depois de ter encontrado o Senhor no altar, um sorriso que já dizia tudo.

Limpo, sóbrio e em seu perfeito juízo. Depois eu fiquei sabendo que antes daquela refeição no Whataburger, que acabou levando-o até o reavivamento, ele era conhecido na vizinhança como “mentalmente louco e perigoso”. Meu novo amigo se tornou voluntário e ajudava a controlar o tráfico das pessoas, ajudava a organizar ou descer com as cadeiras, qualquer coisa que pudesse fazer para permanecer próximo à igreja e próximo a Deus.

Eu soube também que a igreja deu a ele uma quitinete a um bloco só de distância, e logo o contratou para cuidar dos jardins e da limpeza. Embora eu sempre tenha tido o desejo de falar com ele novamente, eu sabia que meu papel tinha sido tão pequeno, tão insignificante, mas ainda assim isso poderia fazer com que a gratidão dele se desviasse de onde deveria estar, com o Senhor, e não comigo.

Mais uma vez, nunca sabemos qual papel essencial podemos ser chamados a executar na vida de uma pessoa desesperada pelo Senhor, ainda que estejamos completamente alheios ao plano Dele. Devemos simplesmente seguir a Sua direção e podemos acabar sendo presenteados com um assento na primeira fileira (ou no balcão) para  testemunhar o poder do Seu amor.

 

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