“Não resistais ao homem mau. . .”

—Mateus 5:38

 

No capítulo anterior, eu mencionei brevemente o princípio e expliquei que pegar a onda de adversidade significa seguir com a corrente e nunca se opor ao mal que esteja vindo contra você. E também comentei sobre como, na verdade, foi o próprio Jesus quem explicou como devemos reagir quando as pessoas nos dizem para fazermos alguma coisa, e que Ele se certificou de que soubéssemos que fora Ele quem disso isso, Eu, porém, vos digo...” “Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil. Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes.” (Mateus 5:39-42).

Também confessei que eu antes fazia questão de nunca permanecer perto de ninguém que já houvesse me “esbofeteado” com suas palavras ou ações, e que caso fosse forçada a ver essas pessoas, eu procurava me certificar de que uma distância emocional fosse mantida. Não há dúvidas de que só se estar disposta a chegar perto de pessoas indelicadas já é difícil, mas eu tenho certeza que podemos concordar que fazer mais ou dar mais do que aquilo que elas pedem, ou exigem, é algo quase impossível de se fazer. Mas é aí que entram todos aqueles versos sobre “nada é impossível”. Vamos lê-los:

“Jesus, fixando neles o olhar, respondeu: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível.” (Mateus 19: 26).

“Jesus, fixando os olhos neles, respondeu: Para os homens é impossível, mas não para Deus; porque para Deus tudo é possível.” (Marcos 10: 27).

“Pois nada é impossível para Deus.” (Lucas 1: 37).

“Jesus respondeu: O que é impossível para os homens é possível para Deus” (Lucas 18:27).

O que torna tudo possível é o fato de que Deus nos enviou o Seu Filho, para nos amar de uma maneira única que faz com que uma mulher se sinta verdadeiramente amada—e isso é que torna possível realizarmos todas as coisas que precisarmos fazer. Mas, se não tivermos o suficiente do Seu amor, seremos impedidas de até mesmo considerar a possibilidade de nos aventurarmos a pegar a onda de adversidade. E sem porção alguma do Seu amor, as mulheres tolamente lutarão contra a adversidade, apenas para se machucarem ainda mais profundamente, ou fugirão para longe dela.

O que eu fiz o meu melhor para expor no último capítulo foi aquilo que me transformou. Mais uma vez, foi simplesmente encontrar a minha vida abundante—receber tudo que eu precisava diretamente de Deus, como por exemplo, sabedoria e receber diretamente do Senhor, como o amor de que eu tão desesperadamente necessitava.

Então podemos todas finalmente concordar que dar é um ato incrivelmente poderoso, mas que vem ainda com mais poder quando é exigido, roubado ou pedido de maneira indelicada? Sim, você pode achar que isto seja terrivelmente doloroso, mas a verdade é que, uma vez que você tenha o suficiente do Seu amor para ponderar sobre este princípio, você começará a compreender que a adversidade, como eu agora compreendo, é na verdade o combustível que precisamos, ou a água para a semente que trará a colheita abundante—as muitas promessas que temos esperado que Ele nos dê. Você pode pensar que é fácil para mim dizer isso, mas assim como você, também passei por muitas dificuldades em minha vida, mas agora finalmente estou conseguindo me beneficiar delas.

Ao longo de muitos anos de ministério, que começou da mesma forma que o de Erin, com meu marido também me deixando, através desta situação, como muitas de vocês, Ele me guiou ao RMI e aos seus ensinamentos, onde o Senhor começou a me ensinar muitos dos Seus princípios para que eu pudesse viver a minha vida abundantemente. Para me preparar para aquilo que estava por vir em minha vida. Cada princípio, à medida que eu os apliquei, mudou a minha vida significativamente. Contudo, preciso dizer que este novo princípio deve ser mesmo o mais poderoso, é um princípio que eu nunca, jamais me lembro de ter ouvido de um púlpito ou lido em um livro cristão. E embora Erin possa tê-lo mencionado em algum lugar em seus livros, e eu creio que ela tenha feito isso, não me lembro de ter compreendido esta verdade antes.

Agora, desde que comecei a vivê-lo, para mim ele se tornou o mais maravilhoso de todos os princípios a ser seguido e eu prometo que ele irá mudar a sua vida para sempre. E o motivo de eu acreditar nisso é porque este é exatamente o mesmo princípio e a mesma maneira como Jesus viveu a Sua vida. Uma vida cercada de adversidades, ódio, mal entendidos, traição, rejeição e todos os outros males que constituíram a Sua passagem tão curta aqui na terra.

O fundamento deste princípio é simplesmente este—não resista ao mal.

Não há nada mais natural, mais enraizado em nossa natureza do que fazer exatamente o oposto. Nós simplesmente não conseguimos deixar de resistir ao mal que nos é feito. De fato, o cristão é ensinado desde o começo de sua caminhada a resistir e lutar contra todo o mal e contra qualquer ímpio que tentar vir contra ele ou ficar em seu caminho. Alguns podem até citar estes dois versos para provar que isso seja verdade:

“Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês.” (Tiago 4:7).

“Porquanto, nossa luta não é contra seres humanos, e sim contra principados e potestades, contra os dominadores deste sistema mundial em trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais.” (Efésios 6:12, KJA).

Embora estes princípios de resistir e lutar estejam na Escritura, ela, contudo, está se referindo a resistir a fazer o mal nós mesmas—não está se referindo a resistir ao mal que é feito contra nós. Há uma grande diferença entre resistir ao diabo, que está te tentando a fazer o mal, e também resistir aos principados e a maldade espiritual que tenta alimentar a nossa carne. Então, quando eu menciono não resistir ao mal, mais uma vez, trata-se de qualquer mal que seja feita CONTRA nós.

Precisamos do Seu Espírito

Um princípio que sei que aprendi com Erin foi a maneira como podemos saber se algo está vindo do Senhor ou não. Em algum lugar ela ensinou que se pudermos fazer determinada coisa com nossa própria força, então estaremos trabalhando na carne. E o oposto também é verdadeiro: se precisarmos da ajuda do Espírito Santo, então significa claramente que está vindo Dele.

Posso confessar também que lutar contra o mal (ou fugir dele) era natural para mim? Portanto, não poderíamos muito bem concluir que se alguma coisa estivesse vindo  “naturalmente” para mim, então provavelmente era a minha própria carne lutando ou fugindo? A verdade também é que o que mudou foi que descobri que eu não sentia mais necessidade de lutar ou fugir devido ao que o Seu amor fez para me transformar.

Contudo, talvez a verdade mais interessante, e ainda mais poderosa e completamente  ignorada, seja o fato de que Jesus viveu a Sua vida a fim de que nós, especialmente nós mulheres, pudéssemos seguir o Seu exemplo; na verdade, fomos “chamadas” a fazer isso.

“Para isso vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando-lhes exemplo, para que sigam os seus passos... Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se Àquele (Deus) que julga com justiça. (1 Pedro  2:21-23). E o motivo de eu ter dito “especialmente nós mulheres” é porque imediatamente após esta seção em 1 Pedro 2 é dito às mulheres, especificamente, como devemos nos submetermos a um marido desobediente à palavra ou rebelde. “Do mesmo modo, mulheres, sujeitem-se a seus maridos, a fim de que, se alguns deles não obedecem à palavra, sejam ganhos sem palavras, pelo procedimento de sua mulher, observando a conduta honesta e respeitosa de vocês.” (1 Pedro 3:1-2). Mais uma vez, se há um relacionamento que “do mesmo modo” seja difícil de suportar sem revidar, ainda que doloroso, e sem fazer ameaças (de ir embora ou, no mundo de hoje, chamar a polícia) seria aquele com um marido que nós confiamos que iria nos amar, certo? E deixe-me acrescentar também que, uma vez que você consiga aplicar este princípio no relacionamento marido/mulher, contanto que você permaneça próxima a Ele, e continue fazendo a mesma coisa em todos os seus outros relacionamentos e situações, na verdade isso se tornará “mamão com açúcar” ou uma “canja”. Ah, mas espere aí, um pensamento acabou de passar pela minha cabeça.

Aflita e Desesperada

Hoje em dia existem inúmeras mulheres, e o número só cresce, mais do que dispostas a sofrer desta maneira, dando mais, dando a outra face de novo e de novo. Mas, infelizmente, a motivação delas é inteiramente diferente daquilo de que estou tratando aqui neste capítulo. As mulheres de hoje, que têm sido terrivelmente machucadas, se colocam em meio a um turbilhão de dor, doando mais e mais e mais, mais do que lhes é pedido, na esperança de que com isso receberão de volta aquele amor que buscam aflitas e desesperadamente! Algumas delas, mesmo sendo pessoas dignas, estão tão acostumadas a viver desta maneira que parecem que atraem este mesmo tipo de homem, vez após vez.

Você pode não se importar em colocar um fim neste ciclo para o seu próprio bem, mas será que você pararia e ponderaria o assunto, por tempo suficiente, para quebrar este círculo vicioso pelo bem da sua filha, ou da sua irmã, ou da sua sobrinha ou de uma colega de trabalho, ou da sua tia ou prima? Até que estejamos dispostas, e tenhamos coragem suficiente para nos libertarmos e encontrarmos o Amor que pode mover as mais altas montanhas de dor, sofrimento, humilhação e cicatrizes emocionais, não teremos nenhuma esperança para oferecer a ninguém. Por favor, não continue lendo este capítulo até que você primeiro pare para realmente compreender o quanto é importante aprender a viver desta maneira. E esteja então disposta a oferecer esta esperança, ao compartilhar as suas próprias falhas e feridas, para que uma outra mulher, sofredora e temerosa, aflita por amor, possa conhecer a verdade. Ajude-a a finalmente aprender sobre a profundidade do Seu amor por ela e o significado disso para a sua vida.

Ser Ludibriada de Boa Vontade

Agora, para dar um exemplo da maneira como Ele me ajudou a compreender este princípio, compartilhando minha própria experiência pessoal, posso citar os acontecimentos que se desencadearam a partir do anúncio que o meu ex-marido fez para toda a igreja, quando ele avisou do púlpito para toda a congregação que estava se divorciando de mim. Sem realmente compreender este princípio naquela época, o Senhor me levou a não resistir ao mal, a não me defender quando dúzias de membros preocupados ou indignados exigiam que eu me explicasse. Fosse o meu ex-marido declarando as suas exigências para o divórcio ou os insultos e acusações dos membros da igreja, alguns eram amigos próximos—devido ao Seu amor somente—é que fui capaz de entusiasticamente concordar com o que fora dito, usando o Seu exemplo de não abrir a minha boca, como meu Marido que “entregava-se Àquele (Deus) que julga com justiça.

Muitos dos detalhes do que Ele me ajudou a suportar estão no livro Enfrentando o Divórcio, que o RMI oferece como um dos seus vários recursos gratuitos, então não vou  entrar em detalhes aqui. (Se você ainda não o leu, por favor, visite o site cujo endereço está no final deste livro.) O que quero dizer é que, durante todos aqueles primeiros dias em que comecei a encontrar a vida abundante, Ele estava me levando a aplicar o princípio de não resistir ao mal. Começou com meu ex-marido me dizendo em particular, depois contando aos meus filhos, e depois chegando ao ponto de anunciar na igreja no domingo, no dia em que entregou o seu pedido de resignação.

Contudo, eu não fui a única pessoa a ser conduzida através da adversidade—sim, foi dessa maneira que o Senhor ensinou não somente a mim, mas também a Erin, que se dispôs a compartilhar todos estes muitos princípios que todas nós encontramos (e ainda estamos descobrindo) nos materiais do RMI. E se você tem estudado os recursos dela já há tempos, como eu, você verá que existe um fio de ouro comum que liga tudo junto! Toda a alegria acontece através da nossa intimidade com Ele e ao buscarmos ao Senhor para nos ajudar em cada uma das nossas situações de dificuldade. Esta é a única maneira pela qual nós, também, aprenderemos os princípios que mudarão dramaticamente a vida de cada uma de nós e ajudarão a mudar a vida de outras mulheres! Por isso este princípio não pode ser alcançado através da mera leitura, mas sim através da sua aplicação, depois de se exercitar o Seu amor a este grau.

Em minha própria vida, desde o momento em que ouvi meu marido anunciando o divórcio, descobri que não foi tão difícil não resistir ao mal que estava vindo contra mim. E assim, à medida que o ano foi passando, parecia que se tornava mais e mais fácil. Ao longo do tempo, eu sempre supus que tudo tenha começado naquele ano anterior (o pior que já tive). Aquele ano serviu para matar qualquer carne que ainda havia em mim—ou pelo menos assim parecia. E com a morte da minha carne eu pude absorver ainda mais do Seu amor. Descobri também que minha carne está claramente ligada às profundezas do meu coração, no que concerne aos meus filhos e ao bem estar deles. Eu sei que todas vocês que são mães podem se identificar facilmente com o que eu estou dizendo, no que se refere aos nossos filhos, parece que existe algo natural que nos faz lutar por eles instintivamente.

Mas, ainda assim, Deus tem uma maneira de alinhar nossos corações com o Dele ao nos fazer lembrar do que nos foi necessário passar para que O conhecêssemos e O vivenciássemos— foi bem no meio da adversidade, não foi? Então, para mim, a coisa mais importante na minha vida (depois da minha intimidade com o meu Amado Senhor) é ver cada um dos meus filhos caminhando em um poderoso e íntimo relacionamento com o Senhor por si mesmos. O que significa que eles também precisarão passar por uma vida cheia de adversidades a fim de que possam vivenciá-Lo. Sim, como Erin, eu também “Não tenho alegria maior do que ouvir que meus filhos estão andando na verdade.” (3 João 1:4).

Então, se eu vou permitir que a adversidade atinja não somente a mim, mas também aos meus filhos, sem que eu fique tentada a me colocar na frente deles ou até mesmo amenizar o golpe que sofrerem, é preciso que eu tenha a certeza de que estou compartilhando e ensinando a eles os princípios, e de ser um exemplo para que eles vejam como agir. Para ajudar os meus filhos, assim como faço com as mulheres que encontro na minha igreja ou no meu ministério, eu preciso conhecer, viver e compartilhar este princípio. Embora eu saiba que deva estar exagerando, muitas vezes sinto como se pelo menos um ataque seja disparado contra os meus filhos toda semana, o que sacode o alicerce da vida deles, o que para as crianças é a área da segurança. Crianças (e mulheres) precisam saber que estão seguros e que nenhum mal virá lhes causar dor. Esta é a segurança que as crianças necessitam para crescer, e as mulheres para que possam desabrochar.

Todas nós já assistimos muitos programas de televisão a respeito dos efeitos prolongados, quando investigam sobre como as coisas que acontecem no passado de uma criança certamente dificultam ou inibem o seu processo natural de amadurecimento e deixam cicatrizes por toda a vida. Eles nos explicam sobre como estas crianças se tornam “emocionalmente deficientes” e ficam “marcadas” como adultos cheios de problemas e dificuldades que se apresentam em todas as facetas da sua vida adulta. Algumas de nós somos estes adultos. Então, como podemos ajudar nossos filhos, ou a nós mesmas como adultas feridas, quando parece que o mundo inteiro não passa de   uma adversidade gigante que nos sobrevém sem dar alívio?

Acreditando naquilo que Ele nos disse, “Eu lhes disse essas coisas para que em Mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo.” (João 16: 33). Jesus foi capaz de vencer o mundo, eu creio, através deste único princípio que nunca é ensinado, e muito menos aplicado pelos cristãos hoje em dia, que Ele nos ensinou no início do Seu ministério:

Mai uma vez, dê e ouça o que Ele diz, “Mas Eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas.” (Mateus 5:38-41).

A primeira parte do verso afirma claramente, leia outra vez—não resista.

Vamos ponderar sobre isso por um momento. Se Jesus tivesse resistido à Sua morte na cruz, onde nós estaríamos agora? Lembre-se de como Pedro instintivamente resistiu (cortando a orelha do guarda) e foi repreendido por Jesus (que curou a orelha do homem). Pedro mentiu também. E em seguida fugiu e se escondeu (tal como muitas de nós fazemos) quando a adversidade veio contra ele, muito embora ele fosse uma testemunha ocular de Jesus e do Seu exemplo de não resistir ao mal. Contudo, Jesus sabia que resistir é natural; portanto, Ele explicou antecipadamente como Ele iria viver (não resistindo), e então mostrou a prova final do poder deste princípio ao pegar a onda de adversidade até o fim na cruz. 

Eu tenho sido chamada a aprender, viver e ensinar este princípio porque Ele quer mais de mim. Somente agora eu consigo ver na minha própria vida, e também ao examinar a vida de Jesus, que, em vez de resistir, nós podemos na verdade usar a adversidade como um caminho leve e fácil que nos leva direto para as bênçãos, e que também nos dá um palco elevado que pode ser usado para dar a Deus a glória que Ele merece e permanecer no alto para compartilhar o Seu amor com as pessoas!

Uma Analogia

Um dia, enquanto eu voava (para algum lugar), o Senhor me mostrou uma analogia deste princípio de não resistir ao mal o comparando com um surfista que pega uma “onda de adversidade” e vai até a praia. Para mim foi fácil de entender porque sou uma garota da Califórnia e cresci fazendo bodyboard. Mas como muitas de vocês podem viver longe do litoral, vou fazer o melhor possível para ajudá-las a entender este princípio. Esta analogia não somente me ajudou, mas também tem ajudado meus filhos a compreenderem e aplicarem este princípio em suas vidas.

Primeiro o Senhor me mostrou um grupo de pessoas que vêm à praia, mas apenas se sentam seguras na areia e permanecem longe das ondas que se pressagiam no oceano.  Eu me lembro disso, dos turistas que vinham completamente vestidos e não tinham a menor intenção de nadar. Em seguida eu vi um outro grupo que colocava os pés na água branquinha que se movia para frente e para trás com a maré. Eu me lembro de que, quando era garotinha, as mulheres enrolavam as pernas das calças e conversavam como se já estivessem se divertindo o suficiente, mas não demais, com o oceano. Parada perto delas, eu descobri que, se eu não me movesse, as ondas que iam e vinham muitas vezes faziam com que meus pés ficassem enterrados, até que eu não conseguia mais me mexer  com facilidade. Interessante.

Em seguida Ele me mostrou o grupo daqueles mais corajosos que se aventuravam um pouco mais à frente das ondas. Uma após a outra elas os iam atingindo e sempre os derrubava, porque eles não estavam nas areias como as senhoras, mas também não haviam entrado na água e dado uma distância suficiente para que as ondas os erguessem mas não quebrassem bem em cima deles. Embora eles achassem que estavam seguros, próximos o suficiente da praia em vez de ir mais para o fundo, eles estavam, na verdade, diretamente na direção do peso de cada onda que vinha, o que fazia com que fossem derrubados até que ficassem exaustos. Algumas dessas almas corajosas assistiam, enquanto outros banhistas mergulhavam bem debaixo das ondas segundos antes da quebra. Contudo, mesmo estes melhores e mais corajosos banhistas logo se cansavam e tinham que voltar à praia para descansar e se recuperar depois de mergulharem em um certo número de ondas.

Finalmente, havia aquelas almas ávidas que aprenderam o segredo destas ondas adversas. Estes banhistas nadavam até um ponto fundo, e então se viravam para esperar pelas grandes ondas e, ao invés de lutar contra elas, eles com confiança se voltavam e remavam em direção à praia. Eles escolhiam trabalhar com a onda e usar a sua fúria para surfar em direção ao seu destino. Eles, na verdade, estavam “pegando a onda de adversidade” e tirando vantagem completa do poder delas, usando a sua impetuosidade   para o seu próprio bem.

E o Senhor não parou por aí com a Sua alegoria. Eu contemplei, mais ao longe da costa, uma área restrita onde não se é permitido nadar, e somente os surfistas com suas pranchas têm permissão para pegar as grandes ondas—e eles não estavam sozinhos. Sentados na praia havia muitos expectadores que se reuniam para assistir e ficavam pasmados. Estes, o Senhor me mostrou, eram aqueles santos que usaram as ondas de adversidade como um palco para demonstrar a grandeza de Deus. Ao invés de temerem as grandes ondas eles, na verdade, procuravam por elas com grande antecipação.

Era isso que o Senhor queria que eu começasse a fazer e é o que eu quero te encorajar a aguardar ansiosamente para colocar em prática em sua própria vida.

Palco para Demonstrar a Sua Grandeza

Ao viajar e falar com grupos de mulheres, individualmente ou diante de igrejas enormes, ou outras médias, eu me vi compartilhando vários testemunhos com elas, embora isso não tenha sido planejado. Quanto maior a onda de adversidade que compartilho que peguei, maior o entusiasmo delas ao ouvir meus relatos. As duas ondas de adversidade que acabam recebendo os maiores “Oooohs e Ahhhhs” foram aquelas situações em que muitos cristãos, na verdade, me criticaram e zombaram de mim—por acharem que fui tola ou até mesmo que agi contrariamente ao que diz a Palavra de Deus. Uma foi quando paguei a lua de mel do meu ex-marido e a outra foi quando eu conversei com ele (após o anúncio do seu noivado) e o encorajei a ser bom e paciente com aquela que logo se tornaria a sua nova esposa. As mulheres, na África especialmente, ficaram animadas com estes dois testemunhos porque elas deixaram bem claro (até mesmo a diretora de um grande ministério que se espalhou por todos os países africanos), que se fosse com os seus maridos elas jamais pagariam por uma lua de mel ou os encorajariam a serem gentis com a outra mulher, mas, ao contrário, iriam era procurar alguma coisa grande e “letal” para atirar neles (e na outra mulher)!

Contudo, foram aquelas ondas de adversidade que forçaram estes mesmos cristãos a refletirem sobre suas próprias vidas, e sobre o impacto que a maneira como eles vivem teria sobre as almas perdidas deste mundo. O que o mundo “testemunha” conta muitas histórias diferentes sobre a Sua vida e o Seu amor, ou diz o contrário de tudo isso. No entanto, não é com as mulheres (ou homens) da igreja que eu fico mais entusiasmada em compartilhar as minhas estórias de como eu “pego as ondas de adversidade”. É, na verdade, quando sou abençoada por poder compartilhá-las com estranhos que então ficam interessados em conhecer “esse Deus” de quem nunca haviam ouvido falar. O que o Senhor estava me mostrando foi que este era o tipo de ondas que eu precisava começar a procurar e não temer e, como os surfistas em suas pranchas, eu precisava, na verdade, sair em busca delas e permanecer animada para pegá-las!

Nos Preparando

Claro que para se aprender qualquer novo princípio, sempre será necessária uma circunstância correta para aplicá-lo; felizmente, elas estão surgindo regularmente na minha vida agora e talvez na sua também. Sempre existe uma onda irrompendo no horizonte, e recentemente, a minha tem sido em relação à guarda dos meus filhos menores. A próxima onda vai me atingir dentro das próximas 24 horas, quando meu ex-marido chegar para uma “visita marcada”, que meus filhos têm certeza que representará, possivelmente, mais uma onda enorme e adversa.

Mas a custódia não é a única onda constante que tem me atingido, porque, lá no oceano das adversidades, posso ver claramente um tsunami em relação às minhas finanças. Como muitos surfistas, ao ver as grandes ondas, você se sente um pouquinho assustada mas ao mesmo  tempo um tanto excitada. Será que vou conseguir me manter de pé? Será que conseguirei me equilibrar graciosamente sabendo que há muitas pessoas assistindo? Ou, ao contrário, eu ficarei com medo e remarei em direção à onda crescente (tomando as situações nas minhas próprias mãos) e acabarei perdendo aquele palco de onde posso glorificar a Deus e gritar lá do alto sobre o Amor do Senhor?

Meus pensamentos, para me encorajar, sempre parecem voltar à cada uma das ondas que o Senhor me fez enfrentar até aqui, e isso me ajuda a recobrar o ânimo que precisarei para seguir em frente. Ao mesmo tempo, por ser humana, eu luto contra os pensamentos que tentam se infiltrar em minha mente, com seus vários cenários “e se”, que mostram uma imagem de mim sendo “aniquilada”—um termo do surfe que eu não acho que preciso explicar o significado. Contudo, uma simples passagem pelas promessas marcadas na minha Bíblia, ou mesmo um breve momento de intimidade com o Senhor, e estas visões são substituídas pela confiança que eu precisarei ter. Para que eu possa dar ao Senhor a glória que Ele merece mais uma vez, e para poder realmente mostrar para cada mulher que existe o Amor do Marido que morreu para dar a ela a Sua vida abundante aqui na terra, eu preciso sempre me lembrar de que tudo isso é sobre Ele e nada diz respeito a mim mesma.

O palco que Ele acabou de construir para você, e para mim, é com o propósito de que possamos herdar uma benção (e é isso que estou entesourando para deixar como uma herança para os meus filhos). Estas “ondas de adversidade” são criadas para chamar a atenção do descrente e fazer com que ele queira conhecer Jesus pessoalmente. E, ao mesmo, elas são usadas para motivar os cristãos comuns a viver uma vida escondida e cultivada em uma profunda intimidade com Ele.

Agora, preciosa leitora e querida amiga, anime-se ao se preparar para pegar a próxima onda que estiver vindo em seu caminho.

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